terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Conto: Quando tudo faz sentido

Ainda são cinco da manhã, perdi o sono. Ontem fui dormir tarde, alguns amigos estiveram aqui... bebemos um vinho maravilhoso trazido por um deles. Me perguntaram se eu estava feliz. Minha mente não está preparada pra estas respostas curtas e diretas que as pessoas estão a costumadas a dar. Há muito mais por trás de um sim ou não. Mas aqueles amigos, embora queridos, não compartilham do mesmo pensamento que eu. Então eu respondi que sim, afinal era cômodo, era o que eles precisavam ouvir.
Mas na verdade não menti, estava feliz. Não completamente feliz, mas... feliz. Acredito que quando nos tornamos adultos ficamos um pouquinho menos felizes a cada decepção. Isso é cruel, mas necessário.
Dizem que esquecemos grande parte do que sonhamos poucos minutos depois de acordar, preciso de um papel e uma caneta, não posso deixar de registrar como estou me sentindo...
Pra variar sonhei com você... mas foi um sonho diferente do de ontem, do de anteontem, dos da semana passada. Nesse sonho não estava te beijando, não estava te abraçando, não estava sequer perto de você. Mas estava lá. E te olhava, puxa como eu te olhava; você estava feliz, sim, muito feliz... mas não me via. E. mesmo eu passando na tua frente, você não me via, e mesmo eu gritando na sua frente... você não me via. Ai resolvi me atrever a tocar teu rosto levemente com a mão. Mas nesta hora acordei.
Passei alguns minutos meditando sobre o que acabara de sonhar. Acho que entendi porquê você não me via. Era meu sonho, não seu. E você não queria estar lá, pois sabe que se quisesse também estaria aqui. E estaríamos deitados agora, e estaríamos nos abraçando, e eu estaria olhando seu rosto, eu estaria tocando ele.
Você não queria estar no meu sonho, eu não entendia isso mas agora entendo. Sempre achei injusta toda essa sua indiferença comigo, mas nunca havia percebido o quanto pode ser injusto contigo também. É meu sonho, são meus desejos, é minha vida... não sua. Mas dói, não me culpe.
Preciso entender que estou acordado, e que não estas mais aqui, aliás, nunca estará. Preciso entender que essa dor não é passageira, é definitiva e cabe a mim conviver com ela. Desde que me conheço por gente coleciono dores, algumas conservo até hoje e nem por isso morri, pelo menos não por completo. Há sempre um amanhã, pra mim e pra nós.
Acho que você sempre estará nos meus sonhos, não é algo com que eu possa lutar. Mas vai chegar o dia em que te encontrarei por lá, em uma das muitas esquinas daquele mundo, e não terei vontade de te tocar, de te abraçar, de te amar. Praticar o desapego é muito mais uma questão interna que externa.
Ainda vou me desapegar de você, do que penso que você é. Ainda vou me desapegar da bebida e do mal que ela me faz. Ainda vou desapegar das respostas complexas a cada pergunta que me fazem. Ainda vou me desapegar de mim, desse eu que só surgiu por causa de você.
E que a estrada rumo ao desapego seja satisfatória para mim e para ti. E que encontremos novos vícios pois eles dão sentido a vida. E que encontremos um amor, avassalador, daqueles de sacudir as estruturas e nos fazer repensar o antes,o agora e o depois.
E que nos esbarremos em alguma esquina desse caminho e consigamos olhar olho no olho e sorrir. E que seja doce, pra mim e pra ti. Tão doce quanto a primeira vez que nos vimos, quando não tínhamos pretensões em relação um ao outro, quando ainda não havia esse tal de amor pra estragar tudo.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Poema: Eternos Dezenove



Quero esta brisa no rosto novamente
Quero me sentir errado, inconsequente
Quero poder ter algo  para me arrepender
Olhar pra trás e não me culpar por viver
Queria ter eternamente dezenove
Quase adulto sem carregar os pesos de tal nome
Sentir intensamente o presente
Quero sonhar, amar, tenho sede, tenho fome

Mas sinto que tal vitalidade escorre de mim
é como se tivesse um corte em meus pulsos
Sou jovem demais pra ser adulto
Mas preciso seguir meus caminhos, definir meus cursos
Queria ter eternamente dezenove
Sentar pra escrever meu futuro sem pressa
Desbravar mundos desconhecidos
Virar na próxima travessa

Sei que estou fadado a encarar a realidade
Mas por hora não vejo tal necessidade
Depreendo que posso viver tudo o que acredito
Pintar este mundo preto e branco, deixar tudo mais colorido
E todas as músicas, e todas as poesias
e todos os momentos e todas as agonias
e todas as amizades e todas as teimosias
e todos os planos e todas as ousadias
Tudo será apenas lembrança um dia...

Mas que em cada nota deste passado cantado
se encontre um pedaço do que almejei ser
E que eu olhe para tais lembranças
Sem  nunca me esquecer
Que não importa o que digam, sou infinito
Mesmo preso ao sistema, perdido no labirinto
Mesmo sufocado, mesmo amargurado
Mesmo tarjado como louco, enjaulado
Fui quem eu quis ser, o garoto dos eternos dezenove.

ps: e que mesmo daqui a cinquenta anos estes versos ainda façam algum sentido.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Crítica: As Vantagens de ser Invisível (filme)

  Nunca havia escrito uma crítica a um filme antes, aliás, nem sei ao certo a maneira de fazê-la. Mas desde que assisti As Vantagens de ser Invisível senti que aquele era o filme ideal para, pelo menos, tentar.

  The Perks of Being a Wallflower (no Brasil, As Vantagens de ser Invisível) é um filme de 2012, baseado no livro homônimo de Stephen Chbosky, roteirizado e dirigido pelo próprio autor da obra. Tem como trio de protagonistas Charlie, Sam e Patrick, vividos respectivamente por Logan Lerman (Percy Jackson), Emma Watson (a Hermione na Saga Harry Potter) e Ezra Miller (de Precisamos falar sobre o Kevin).

    Charlie é um tímido e solitário garoto que se vê ainda mais só quando seu único amigo comete suicídio. Sua vida começa a mudar quando os irmãos Patrick e Sam entram em sua vida e lhes mostram toda a intensidade que a adolescência pode proporcionar.

"Somos Infinitos"
   As Vantagens de ser Invisível é tarjada como um drama teen, e realmente é, mas não se engane por rótulos. Não se trata de um daqueles filmes onde o mocinho rejeitado se apaixona pela garota popular e tem que disputar o coração dela com o bonitão da escola. Ao invés disso o filme trás em seu roteiro todas as maravilhas e desastres da adolescência, só pra listar alguns: virgindade, uso de drogas, sexualidade, bullying, auto aceitação e amizades intensas. Regado por uma trilha sonora esplendorosa, cheia de clássicos do rock (incluindo The Smiths, David Bowie e The Samples), As vantagens de ser Invisível nos faz mergulhar numa nostalgia deliciosa. Aqueles que ainda cursam o ensino médio certamente se identificarão com algo, e aqueles que o já terminaram com certeza sentirão vontade de ser adolescentes novamente.

    Quando um roteirista tem a difícil função de adaptar um livro às telonas sempre surge o medo de conseguir dar vida a obra da melhor maneira possível. Não sei ao certo qual o motivo, se foi puro talento ou o fato de o filme e o livro terem sido escritos e dirigidos pela mesma pessoa, mas certamente estamos diante de um dos raros exemplos onde a adaptação ao cinema conseguiu deixar a história tão interessante quanto no livro. Os recursos audiovisuais fizeram muito bem à obra de Chbosky e as atuações do trio de protagonistas não deixou a desejar em momento algum. Destaques para Ezra que incorporou o personagem maravilhosamente bem e, é claro, para Logan que  entendeu a fundo a alma do personagem e soube dosar cuidadosamente doçura, timidez e certa carga de drama principalmente nas cenas finais do longa.

    Ainda é preciso destacar o papel fundamental de Emma Watson, que conseguiu deixar Hermione Granger para trás, e fez de sua personagem o principal apoio tanto de Charlie quanto de Patrick.
   No último dia 09, o filme foi premiado no People Choice Awards em duas categorias: melhor filme dramático e melhor atriz dramática (Emma Watson) mas infelizmente não conseguiu uma vaga na lista dos indicados à Melhor Roteiro Adaptado no Óscar 2013.

   Sou simplesmente apaixonado por dramas teens e talvez por estar tão acostumado com “mais do mesmo” o tempo todo é que me apaixonei tanto por As Vantagens de ser Invisível. Um filme que não foi feito apenas para ser visto e sim para ser sentido, em cada música, em cada diálogo, em cada frase de efeito tem um pedaço do adolescente que viveu ou ainda vive em todos nós.

Trilha sonora

1. David Bowie – Heroes
2. The Smiths – Asleep
3. Cocteau Twins – Pearly-Dewdrops’ Drops
4.  New Order – Temptation
5. The Innocence Mission – Evensong
6. Dexys Midnight Runners – Come On Eileen
7. Cracker – Low8. Sonic Youth – Teenage Riot
9. XTC – Dear God
10. Galaxie 500 – Tugboat
11. Michael Brook – Charlie’s Last Letter
12. The Samples – Could It Be Another Change
13. Crowded House - Don't Dream it's over



Frases mais marcantes do filme:

Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.”

¨Não sonhe que é. Seja!”

“Me sinto infinito.”

“- Você não escreve poesia?” – Não, a poesia que me escreve.”

“Por que as pessoas legais escolhem pessoas erradas pra namorar?”

“Você não pode colocar a vida das pessoas a frente da sua e achar que isso conta como amor.”

Link para baixar:

Este site possui links confiáveis para você baixar e assistir o filme: Baixar As Vantagens de ser Invisível

Quer assistir o trailer legendado? Acesse aquiAs Vantagens de ser Invisível (trailer)

Leia também: A carta em homenagem à Charlie: Querido Charlie

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Crônica: Doce Janeiro


Janeiro, ah doce janeiro. Pico do verão, mês de promessas, reconstruções, renovação. Não importa como foi janeiro do ano passado, pois o deste ano será diferente... e para melhor, claro.
Um ano é como uma escada de 12 degraus, no final dele você olhará pra trás e verá quantos conseguiu subir. Mas se não fez nada em janeiro provavelmente ainda estará no chão.
É hora de desfazer as malas, tanto físicas quanto mentais. Sim, descarregar todo o peso de um ano frustrado. É hora de analisar os problemas, dar um tchauzinho pro pessimismo e dizer: eu consigo resolver. É hora de acreditar que você finalmente saiu daquele maldito inferno astral.
Janeiro é mês das metas. É mês de escrevê-las à mão e em letras garrafais... é claro que você não pode esquecer de colocar um “vou conseguir” escrito bem grande e em vermelho no final da lista. Mas pensa que é só isso? Claro que não! Janeiro não gosta de acomodados, levante já da cadeira e vá começar a realiza-las! Ninguém pode viver por você e a vida é uma só. Você pode começar neste janeiro a fazer com que os próximos sejam melhores. Faça!
Teremos um excelente 2013, não porque as cartas disseram, não porque um médium previu... teremos um excelente 2013 porquê faremos por merecer. O que passou passou e não pode ser mudado, já o que há por vir, ah, isso sim é de nossa inteira responsabilidade. E viva janeiro, e viva a vida!