domingo, 14 de abril de 2013

Resenha: A Culpa é das Estrelas

Antes de começar a discorrer sobre o livro proposto no título desta resenha convém alertar aos que se propuserem a continuar a ler: esta não é uma história de amor convencional, aliás, nem sei se posso chamar de história de amor. Esta é uma história de luta, com pitadas generosas de amor.
Nossa mocinha adoravelmente chata, encantadoramente bipolar e inesquecivelmente inteligente chama-se Hazel Grace Lancaster, ou se preferirem, apenas Hazel. Dezesseis anos e meio (ou trinta e três meios anos, como prefere sua mãe), leitora voraz e vítima terminal de um câncer na tireoide e pulmões, ganhou mais algum tempo de vida após passar por um tratamento experimental. Anda para todo lado com um cilindro de oxigênio acoplado a ela via cateteres no nariz, que fazem boa parte do trabalho de seus pulmões. Se destaca pela forma descontraída e muitas vezes até engraçada com que trata o câncer.
 Nosso mocinho, insuportavelmente convencido, igualmente inteligente e muito divertido chama-se Augustus Waters, ou simplesmente Gus. Dezessete anos, garoto bonito, ex-jogador de basquete e recém curado de um câncer (que o havia feito amputar uma de suas pernas).
Para Hazel Grace, parecia apenas mais uma reunião qualquer no grupo de ajuda à portadores de câncer ao qual frequentava. Mas a chatice da rotina foi rapidamente mudada quando Augustus aparece, a pedido de seu amigo Isaac, para conhecer o grupo. Após uma rejeição inicial, Hazel se rende aos encantos do jovem, que fica igualmente encantado pela garota.
Mas o que esperar de um relacionamento que pode ser interrompido a qualquer momento por ninguém menos que a morte? A resposta é simples: tudo! Desde sorrisos, passando por momentos fofos até dramáticos com direito a muitas lágrimas. A Culpa é das Estrelas não é um livro feito para os que esperam um “viveram felizes para sempre” como frase final. Muito pelo contrário, é mais seguro começar a ler tendo em mente um “e morreram felizes para sempre”. Embora eu deva lhes alertar que Hazel e Augustus odiariam esta frase no final de sua história. Eles não querem um “para sempre” como frase de efeito, querem apenas saber que viveram o melhor que puderam enquanto puderam. Se apenas soubessem quanto tempo é esse “enquanto puderam”...
Não desejo me dispor a citar vários trechos do livro nesta resenha, mas necessito faze-lo com uma parte em específico, uma das mais marcantes do livro (motivo pelo qual está transcrita na contracapa do mesmo):

“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1.Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre 0 e 2, ou entre 0 e 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de que costumava gostar me ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter... mas Gus, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito.” (Hazel Grace Lancaster)

Continuar a citação a partir daí seria entregar a história, e não quero isso. Se tem uma coisa que aprendi com Hazel Grace e com Augustus Waters é que por mais que “sejamos todos efeitos colaterais” do universo, podemos ser lembrados para sempre se apenas fizermos valer o tempo que temos em nosso “conjunto ilimitado de dias”, transformando eles num “pequeno infinito”. Só não podemos pensar demais em fazer a diferença, pois pensar demais pode significar agir de menos, e agir de menos não muda nada.

John Green, autor do livro, conseguiu algo louvável: criar uma história previsível e imprevisível ao mesmo tempo. Você já pressupõe como vai terminar a luta de Gus e Hazel, mas não faz nem ideia de como será trilhado o caminho até lá. E a Culpa é das Estrelas nos fisga exatamente ai: na vontade, quase involuntária, de dar a mão à Hazel e segui-la por esse caminho. Não se contenha, dê a mão a ela e curta ao máximo esse “conjunto ilimitado dentro de um pequeno infinito”. Filosófico, engraçado, dramático e (im)previsível, A Culpa é das Estrelas é sem dúvida um livro que merece sua atenção e um lugarzinho especial na sua estante. Mostra que viver é uma luta diária, tanto para quem tem câncer, quanto para que não tem. Encerro esta pequena obra com palavras da própria Hazel: "Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra." Faço destas palavras a descrição perfeita para o que senti ao ler o livro. Te desafio a ler e não sentir o mesmo.

Quem é Quem:
Hazel Grace Lancaster – Nossa Protagonista
Augustus Waters – Nosso Protagonista
Sr. e Sra. Lancaster – Pais de Hazel
Sr. e Sra. Waters – Pais de Gus
Isaac – Amigo de Gus e Hazel, vítima de um câncer que o deixou cego.
Mônica – Namorada de Isaac
Peter Van Housen – escritor de “Uma Aflição Imperial”, livro preferido de Hazel e que servirá como combustível para parte considerável da história.
Lidewij Vligenthart – assistente de Peter
Patrick – Líder do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer
Kaitlyn – amiga de Hazel da época do ensino fundamental
Martha e Julie – meias-irmãs de Gus

Um pouco sobre o autor:
John Green é norte-americano, tem 35 anos e mora no estado de Indiana. De uns tempos para cá recebeu atenção especial da crítica por sua maneira divertida e simples de tratar os mais diversos temas em seus livros. Ganhou diversos prêmios, dentre eles a Printz Medal e o Printz Honor. Seus livros mais conhecidos são A Culpa é das Estrelas, Quem é você, Alaska? E Teorema de Katherine. ps: eu leria até a lista de compras de supermercado de Green (leiam o livro e entenderão esta frase).


Leia também: Resenha - O Teorema Katherine

Bônus: O livro virará filme. A escolha de elenco e os preparativos pré-produção já começaram. A jovem atriz Shaley Woodley, indicada ao Globo de Ouro (por Os Descendentes), já foi confirmada como Hazel Grace. Mais um motivo para você ler o livro antes de ver a história virar febre nos cinemas e sentir o gostinho de “eu conheci a Hazel e o Gus antes de vocês”.

Fontes:
Em primeiro lugar o próprio livro, é claro.

8 comentários:

  1. O melhor livro depois de O pequeno príncipe. Beijos

    Mundo de Nati
    @meuamorpravoce

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  2. Olá!
    Eu quero muito ler esse livro, só não comprei ele ainda pq acho a capa meio feia... tenho esse problema com capas rsrsrs
    Prazer em conhecer seu blog, encontrei vc lá na pagina do face =D
    Bjos

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  3. foi o livro que me fez dar uma chance pro genero YA contemporâneo, até então achava eles todos iguais, mas a culpa é das estrelas é fantastico, o John Green é fantastico, se vc gostou de A culpa é das estrelas, vc tem que ler Quem é você, Alaska? Esse sim é o melhor livro dele, vc percebe um lado mais maduro do autor e ele faz vc refletir muito sobre tudo, recomendo muito Quem é você, Alasca e espero ver uma resenha aqui :) http://des-construindooverbo.blogspot.com.br/

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  4. Esse livro parece ser muito bom. Meio triste a imagem dela com tubinhos no nariz. Já vi esse livro em vários blogs mas não uma resenha tão boa :)

    Blog: Just Babis :)

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  5. Paulo, que ilustração mais linda! O livro é tocante, faz refletir muito sobre a vida e o tempo que temos para que possamos viver bem com nós mesmos...

    Adorei teu blog!
    Beijos,
    http://pilhadecultura.blogspot.com.br/

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  6. Acho que deviam fazer um documentário para este livro. Será que alguém não gostou? É tão real e tão doce. Acho que deveria ser leitura obrigatória... para o vestibular e para a vida!

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  7. Adorei a resenha, e a forma como você a escreve! Foi tão fácil lê-la quanto foi ler o livro, e me deu até uma pontinha de saudade de Hazel e de Gus!
    Sério, acho que minhas resenhas jamais serão as mesmas depois de ler a tua! Parabéns! =D

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    1. Poxa, muito obrigado! Me senti lisonjeado depois desse comentário :D

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