quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Olhe para o mar

O que está fazendo aqui? Como sabia onde eu estava? Vim ver o mar. Faça silêncio, escute o que ele diz. Não, eu não pretendia voltar. Você não leu meu bilhete? Não faça essa cara, não me lance esse olhar. Não dá mais. Vim ver o mar. Fique quieto, ele quer falar com você também. Sim, eu te
desculpo. Não se preocupe, sei que se arrependeu. Me arrependi também. Daquilo. Das coisas que eu disse. Estava magoado, falei sem pensar. Não posso voltar. Não quero. Olhe para frente querido, veja essa imensidão azul se perder de vista. O chiado? É música. É código. É preciso fazer silêncio. É preciso estar atento. Sim, estou um pouco fora de mim. Embriagado? Totalmente! Bêbado de cansaço. Me solte! Não, eu não vou voltar! Vim ver o mar. Ele tinha coisas para me falar. Escute.
Me deixe ir. Por que você não me deixa ir? Não percebe? É insano. Não posso mais amá-lo apenas com palavras. E você não me deixa amá-lo d’outra forma. Me deixe ir. O mar me chama. Ele me confessou que ainda há uma chance para mim. Talvez ainda haja para você também.
Amar sempre me pareceu coisa de louco. Coisa de quem se atira na água sem medo da correnteza. Não dá. Não quero mais ser aquele que observa tudo da praia. Quero me lançar nesse mar. Mar de amar. Me envolver nos braços dele. Deixar que ele me leve. Atracar num porto seguro. Um dia, quem sabe. Ou flutuar por ai. Por toda a eternidade. Não, por favor não prometa isso. Não diga essas coisas. Sim, você vai suportar. E vai perceber que foi melhor assim. Para nós dois.
Me deixe ir. Por que você não me deixa ir? Não percebe? É tardio. Por favor, corte as amarras. Me deixe voar. Falei com o mar, ele me disse que ainda há uma chance para mim. Talvez ainda haja para você também. Só quero seu bem, meu bem. Mas quero meu bem também. Olhe para o mar. Mar de amar. Ele falou comigo. Confio nele. Confie também.