terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Análise: Big Eyes (Grandes Olhos)

Há sempre muita expectativa por trás de um longa de Tim Burton. O diretor norte-americano conquistou uma legião mundo fora por seus filmes repletos de personagens excêntricos e um toque sombrio. Mas esqueça boa parte do que você pensa que sabe sobre Burton, pois em seu mais recente filme “Big Eyes” (Grandes Olhos), vemos um diretor que topou o desafio de fazer um filme... normal.
A história em questão é o drama biográfico da pintora Margaret Keane, seu marido Walter Keane e a polêmica que envolveu os dois. Margaret é uma das maiores pintoras americanas, ganhou fama na década de 60 por seus quadros de crianças pobres, frágeis e com gigantes olhares tristes. Segundo a história oficial, Walter fez fama e fortuna assinando os quadros da esposa como se fossem seus. Após terminar o casamento, Margaret resolve denunciar o marido e os dois travam uma intensa luta
Foto: Divulgação
 judicial que acaba consagrando Marg como a verdadeira autora dos quadros de Big Eyes. História real que daria um belo filme, não acham? Burton e os roteiristas Scott Alexander e Larry Karaszewski também acharam, e fizeram!
Mas não é porque trata-se de um filme biográfico que Burton ocultou totalmente suas características como diretor, pelo contrário, muitas ainda estão lá, mesmo que mais sutis. Vemos na personagem de Margareth, a típica protagonista frágil que tem uma visão muito particular das coisas. Por que pintar retratos de crianças com olhos tão grandes? "Porque os olhos são a janela da alma", responde a personagem. E porque ela via neles a força de um discurso que palavra nenhuma daria conta de transmitir. Sem contar que o diretor aproveita a personagem para mostrar um pouquinho do que era ser uma mulher divorciada na metade do século passado, e como tais mulheres eram vistas pela sociedade. Amy Adams dá o tom exato ao personagem. Aquela voz suave, aqueles olhos frágeis e aquele sorriso encantador constroem uma Margaret Keane pela qual o expectador se dispõe a torcer.  Por outro lado, a atriz não escorrega ao tirar a personagem do perfil de boa moça e transformá-la numa mulher que precisa lutar pelo que acredita.
Por outro lado, o charme, lábia e jeito expansivo que Christoph Waltz entrega a seu Walter Keane faz dele a melhor coisa de Big Eyes em diversos momentos do filme. O embate entre a fragilidade de Amy/Margaret versus a expansividade de Christoph/Walter vão fazendo com que o filme, inicialmente focado no nascimento do relacionamento do casal, tome os contornos de um drama.
Tudo isso nos é entregue regado a uma fotografia deslumbrante,  direção de arte certeira e trilha sonora agradável. Trilha com destaque merecido à Lana del Rey e sua música tema do filme que, apesar de tocar num única cena, aparece no momento em que é necessário.
Big Eyes não é o melhor filme de Tim Burton, talvez porque a vida real não tenha permitido que o diretor fizesse o que sabe fazer de melhor: fantasiar. Mas ainda assim é - sem dúvidas - um filme que merece ser apreciado.

Filme: Big Eyes (Grandes Olhos) EUA/2015
Diretor: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski
Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz, Krysten Ritter, Danny Huston, Terence Stamp
106 minutos.
Avaliação: Bom

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